Transformações, paradigmas e acesso aos museus

Mais uma “inovação” nos modos de acesso aos museus. Importante destacar que, apesar de ser uma situação específica e obras de arte cujo contato é limitado, a abordagem faz refletir sobre a questão museográfica. No caso do Museu de C&T da Bahia, cuja interatividade e o acesso são pontos essenciais de sua vivência, é uma forma de refletir sobre suas funções. O texto foi publicado no Caderno 2 do jornal A Tarde de 9.02.11. Boa leitura! 

Museu.com, THIAGO FERNANDES

A obra acima foi criada pelo pintor renascentista Sandro Botticelli no final do século 15. O Nascimento de Vênus é considerado um dos mais importantes trabalhos da história da arte universal e atualmente está exposto na Galeria Uffizi, na cidade italiana de Florença, que recebe por ano cerca de 1,5 milhão de visitantes.

Apesar da quantidade significativa, o número nem se aproxima do potencial de acessibilidade trazido pelo recém-lançado Google Arts Project, que, utilizando toda a tecnologia à disposição do gigante das buscas, pretende aproximar esta e outras cerca de mil obras de 17 museus em todo o mundo do cotidiano de qualquer pessoa com acesso à internet.

Em seu blog oficial, o Google diz que a iniciativa surgiu a partir da ideia de tornar esses acervos acessíveis “àqueles que não têm a sorte de ter uma galeria na porta de casa” e é fruto dos já famosos 20% do tempo livre que a empresa oferece a seus empregados para levar adiante seus projetos pessoais.

Em termos gerais, o projeto pode ser resumido como a aplicação da tecnologia do Google Street View a esses espaços.

Com isso, é criado um ambiente de imersão virtual que se assemelha à experiência de andar pelos corredores dos museus.

Ao ver algum quadro que chame a atenção, é possível se aproximar e ter informações detalhadas sobre cada obra, com detalhes complementares sobre sua criação, importância e representatividade, além de vídeos e outros recursos que ampliam a experiência de apreciação do trabalho.

A tecnologia empregada no projeto permite uma aproximação visual que dificilmente seria possível ter acesso, mesmo estando fisicamente diante dos trabalhos. A captura visual do Google foi feita com um nível de detalhamento que permite observar até mesmo as mais sutis pinceladas feitas pelos artistas nos quadros. De acordo com a empresa, essas obras foram registradas com até 7 bilhões de pixels, cerca de mil vezes mais detalhado do que a média das câmeras comuns.

Acesso A novidade representa mais um recurso para auxiliar os especialistas em um dos desafios da atividade museográfica, que é a ampliação do acesso do maior número de pessoas a criações que, conforme explica o presidente do Conselho Regional de Museologia, Antonio Marcos Passos, “não pertencem a um museu ou a um país, mas sim a toda a humanidade”. Assim, cabe aos museus a guarda, a preservação e a ampliação do acesso do público às obras.

Para Passos, a experiência não substitui a visita real aos espaços de exposição, mas é importante para permitir o acesso a pessoas que, de outra forma, não poderiam apreciar esses trabalhos. “Todos os processos de divulgação de acervo são importantes, mas não para mostrar o objeto pelo objeto, mas para instigar as pessoas”.

Ele ressalta que esse tipo de experiência cumpre ainda uma outra função, que é a de aproximar a comunidade da visitação a museus. “Às vezes, as pessoas de uma determinada cidade ou que a visitam não se dão conta do que se encontra nos museus e dar visibilidade a isso é fundamental”.

O museólogo chama a atenção para a possibilidade de se experimentar as diferentes experiências que são ver as obras por meio do computador e ao vivo. ”É interessante que as pessoas queiram ver as obras pessoalmente e possam confrontar o virtual com o material”.

O Google diz que não pretende substituir a experiência real e que espera que o Arts Project “dê às pessoas uma divertida e incomum forma de interagir com a arte, e possa inspirálas a visitar os museus”.

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