“Retrato” da cultura mostra que 8 em cada 10 soteropolitanos nunca foram a um museu

A matéria saiu no Jornal A Tarde deste sábado (29.01.2011) e vale uma leitura minuciosa de quem se preocupa com os equipamentos culturais de Salvador/BA. Seguem abaixo reflexões da jornalista Malu Fontes sobre o assunto (também publicadas no mesmo veículo).

Faltam educação e hábito para a ocupação de espaços culturais, Malu Fontes (A Tarde, 29.01.2011)

“Quando uma pesquisa revela que a população de Salvador não tem como hábito ou prioridade frequentar áreas públicas e equipamentos culturais, a primeira tentação dos bem-intencionados defensores da alta cultura é adjetivar o universo dos pesquisados da maneira mais óbvia: “bando de ignorantes”. Mas adjetivar assim uma população pelo desinteresse pelos chamados produtos da média e alta cultura é o mesmo equívoco cometido quando se atribui à mocinha de microssaia a responsabilidade pelo estupro do qual foi vítima.

Uma população que não ocupa praças e parques e nem vai a teatro e museus nada mais é do que produto mastigado, engolido e deglutido pelos poderes públicos, que sempre lhe destinaram educação de péssima qualidade.

E também das elites econômicas, que preferem ter ao seu dispor cordeiros dóceis, incapazes de refletir sobre o modo como são tratados. Sim, pois não dá para dissociar a capacidade e a habilidade de entregarse à fruição proporcionada pela arte sem expandir a consciência de si e sem desenvolver posturas críticas diante das mazelas sociais.

Além de ser injusto e abaixo do vulgar responsabilizar e tachar de ignorantes as pessoas, vale lembrar outros detalhes grandes deste estado de coisas. A quase totalidade dos museus não abre aos domingos e feriados e, durante a semana, a maioria trabalha ou vai à escola (para continuar sendo tábula rasa).

E a que horas é encenada a maioria dos espetáculos de teatro? E onde ficam localizadas as salas de espetáculos, senão em bairros centrais? Se os trens do subúrbio não funcionam nem mesmo para levar as pessoas ao trabalho e trazê-las de volta? Se o poder público não consegue, em 12 anos, colocar o metrô para funcionar, como querem que as pessoas voltem para casa à meia-noite, após assistir a uma peça de teatro?”

Estas passagens são muito reais para a situação do Museu de Ciência & Tecnologia da Bahia. O Museu tem entrada gratuita, mas não funciona aos sábados, domingos e feriados. Quando abria, carecia de diculgação, e o público presente era mínimo. Se havia procura, a instituição nem sempre conseguia dar conta de atender, por falta de membros na equipe. Enfim. Desde 2007, quando a equipe que hoje se intitula “Amigos do Museu” atuava ali, havia uma tentativa de se realizar mudanças para beneficiar o público, mas agora isso tudo ficou na memoria do nosso esforço, e o Museu de C&T da Bahia, mais uma vez, fechado…

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